Quando a cura chega?


Ninguém consegue mudar tudo de uma hora pra outra. É um processo dolorido, que por vezes nos faz perder a vontade de levantar da cama. Superar é muito disso. Se deixar levar pelos dias que se passam, aprender com cada passo, saber que tudo segue como um dia após o outro. Lentamente.

Foto por Martin Lopez em Pexels.com

Por diversas vezes pensamos em nunca mais entregar nosso tempo para alguém novamente. Uma mistura frenética de angústia, medo do que está por vir, o medo de por fim abandonar, desistir de tudo e seguir. Não é como um mergulho no mar, deixando nele todas as impurezas e saindo após um longo tempo sentindo-se leve. Leva tempo. E foi preciso passar por tudo isso para realmente saber.

Seremos nós, por nós mesmos e não há nada de errado nisso. Errado seria não sairmos do lugar. Não darmos o primeiro passo. Não decidirmos pular do barco quando necessário. Aceitar que ao acordar restará olhar a hora no relógio, tomar um bom banho de cabeça, ouvir a música que nos faz sentir vivo.

Dói. Ninguém disse que seria fácil. Eu também sabia que não seria. Você também sabe que não seria. Cada um enfrenta de sua maneira, mas o processo acaba sendo o mesmo. Para uns, num curto espaço de tempo, para outros um pouco mais. Ninguém nunca nos ensinou como é que a gente esquece, até por que não existe um manual explicando passo a passo para isso. É um processo que precisamos ser firmes, estarmos fortes e termos paciência. Um dia estaremos curados.

Ausência


Sabe, tem dias que parece que ainda não vai passar. Mesmo com um tempo se passando, coisas acontecendo, a realidade batendo sem parar. Tem dias que se parece ter passado meses ou anos, mas ao mesmo tempo, tudo parece ter sido ontem. Tem dias que eu posso jurar nunca mais querer me apaixonar por mais ninguém, só pra não ter que passar por tudo isso novamente. Tem dias que me arrependo por não ter resolvido tudo antes. Tem dias que nem lembro como tudo levou a isso.

Foto por Viktoria Alipatova em Pexels.com

Talvez tenhamos de nos acostumar a perder algo, antes de pensar em qualquer outra coisa. Digo isso pois sempre teremos pessoas que vão passar por nós. Até por que nós também nos afastaremos de outras pessoas. Talvez até de alguém que amamos, por qualquer motivo que seja. Nunca sentia algo tão ruim em toda minha vida. Um bolo no pescoço que insistia em não descer. Uma sensação tão incomoda que, se pudesse, arrancava fora.

Mas é isso. Nunca sabemos quando iremos nos recuperar. Sabemos apenas que em algum momento isso irá acontecer. Num momento em que enterramos o passado e nos permitimos ver o amanhã com outros olhos, acontece. Procuramos forças dentro de nós, sem nem saber onde iremos chegar. Mas chega um momento que precisamos guardar a saudade numa gaveta e colocar o melhor sorriso no rosto. Precisamos enxergar o amor como ele realmente é. Tem um lado bom, tem um lado ruim, um lado que dói e precisamos aceitar que nunca mais seremos o mesmo. É preciso seguir.

Acordar


Foto por fotografierende em Pexels.com

Hoje mais tranquilo consigo entender alguns sinais. Sabe, em alguns momentos só queremos ouvir e ser ouvido. Me dá estafa essa de falar com você só por mensagem. Eu preciso soltar minha voz. Preciso ouvir no lugar de ler suas palavras, ora vazias, ora tão cheias de ironia.

Hoje, depois de alguns copos de cerveja subirem minha cabeça, pensei em tudo o que fizemos para tornarmos esse nada. Sim. Não foi pela ausência de atitudes, mas sim por elas próprias. Atitudes que conscientemente ou não íamos tomando e levando a caminho nenhum.

Eu poderia ter feito algo e fiz. Mas o problema não estava em mim. Não apenas em mim. Insisti, tentei, foi dolorido. Deixamos levar como uma bola de neve. Tudo ia se juntando e nada se resolvia. Até que foi finalizando.

Mágoas


Foto por Gabriel Alves em Pexels.com

Estejamos abertos para o acaso. Por um certo tempo pensei conhecer tudo sobre o que eu precisava saber. Estava enganado. Não me dei conta do quão rasas algumas pessoas podem ser, mergulhei e não foi tão fácil encontrar a borda novamente. Na verdade, todo esse processo ainda acontece e ainda sigo em busca da borda.

Até que ponto você estaria disposto a se entregar? Se eu soubesse antes o que sei hoje, minha resposta seria outra. Talvez minhas atitudes seriam outras. A certeza que tenho é que não teria me aprofundado tanto. Quem sabe até não ter deixado passar de uma noite de festa e diversão. Ah, mas o acaso nos deixa cego, mesmo com a verdade brilhando em nossa frente.

Hoje escrevo sobre mágoas, amanhã espero escrever sobre algum sorriso meu que devo ter deixado perdido nos becos me meti tentando fugir. Dói você ter de rasgar histórias que apenas de um ponto de vista poderiam ser bonitas. Um dia espero escrever com um sorriso no rosto o quão feliz eu fui antes de toda essa destruição.

Um Penhasco


Foto por Alexis Azabache em Pexels.com

Talvez tenhamos transformado tudo num caos.

Pulamos de um penhasco onde pensamos que seria uma queda tranquila. Ou tentamos acreditar que assim, seria mais fácil aceitar o pulo. Num curto espaço de tempo, vi o mundo desabar. Me vi preso em medos, vi alguns sonhos se desmancharem, talvez dando espaço para outros nascerem. Um pulo no desconhecido. Plena escuridão. Enquanto o vento passava rasgando meu rosto, te vi de longe. Cada vez mais longe. Bem longe. Mas perto.

A queda talvez pudesse ter sido tranquila. Talvez se pudéssemos prever o quão longe ela nos levaria, teria me preparado mais. Teria não insistido tanto. Mas pulamos. Prontos ou não. Sem saber ao certo onde nos levaria. Posso dizer que ainda não sei até onde essa atitude vai nos levar. Talvez já nos levou e nem tenhamos percebido que chegamos aqui em baixo.

Lá no alto, o penhasco. Daqui, apenas incertezas. Quem sabe, talvez, uma certeza. É, uma certeza que leva a uma outra certeza. Ou talvez a milhões de dúvidas. Durante a queda, palavras foram jogadas. Cada qual descarregando seu peso, suas dores, suas lágrimas. Aproveitamos esse último momento. Talvez seja preciso sangrar pra aprender o quão é forte. Talvez um só corpo não seja suficiente em litros de sangramento. Talvez uma só vida não seja suficiente. Talvez tudo tenha um propósito. Mas lá do alto do penhasco não imaginei que seria tão doloroso tantas dúvidas. Tantos “talvez”.

Sobre enfrentar as ondas


Uma onda veio forte e me derrubou. Eu não estava preparado, mas ergui a cabeça e enfrentei todas as próximas ondas. Não passou muito tempo e não sentia mais o chão sob meus pés e percebi que teria de voltar para onde estava.

Foto por Todd Trapani em Pexels.com

Essa questão de estar seguro comigo mesmo sempre foi o principal ponto. Não sou de ficar com inseguranças. Talvez por eu não me adaptar bem a isso. Eu fujo de locais em que eu não me sinta seguro. De locais, de pessoas, de tudo que não passe segurança. Aprendi a ser assim.

E então, eis que aparece algo alguém que faz com que eu posso seguir entre as ondas. Que faz com que eu possa ficar sem chão sob meus pés. Este alguém que faz com que minhas inseguranças sumam.

Sobre ser depois de nós


É, acho que estraguei tudo outra vez, mas essa não é a primeira, tampouco será a última. E talvez isso seja até bom. Talvez não seja a hora de acontecer. Talvez esse dia nunca chegue. E está tudo bem.

Eu sei que tudo está meio confuso, os dias estão nublados, o céu sem cor, a mente sem paz. Eu sei que tudo o que você poderia querer, eu posso te dar, mas sei também que não sou eu o escolhido. Na verdade, nem sei porque estou me preocupando com isso. Nunca antes eu pude te dar tudo que merecia de melhor e nunca serei eu o encarregado dessa função.

Foto por Elijah O’Donnell em Pexels.com

Eu te assustei, eu sei. Ser intenso machuca mais a mim do que os outros, mas a forma que uso para me expressar assustou até mesmo as almas mais corajosas e donas de si que já conheci. É um defeito incorrigível, assim como te querer.

Você me pediu silêncio, não com suas palavras, e sim com a ausência delas, e eu entendi. Está tudo bem, ficar em silêncio sobre o que sinto já faz parte da minha rotina muito antes de você desconfiar de algo. O dia-a-dia segue normal como sempre seguiu antes de nós.

Tentei fazer o que você está fazendo para driblar tudo isso. Liguei o rádio e deixei a música tocar, mas até nisso acabei falhando. Gessinger gritou aos quatro cantos do quarto: conheci uma guria que eu já conhecia de outros carnavais, com outras fantasias…

E aí eu lembrei que eu já te queria desde antes, esse é só mais um carnaval em que não te terei como em todos os outros. Só me resta vestir a velha fantasia de palhaço e sair mais uma vez no bloco dos conformados.

De carnaval em carnaval, vou te esquecendo e logo meu coração conhece outro ritmo e para de bater por você.

Sobre o mais feliz da vida


Você pensa que é o fim do mundo, mas não é. Você acha que a sua dor é a pior de todas as dores já existentes, mas está enganado. Fácil é sofrer, passar dias trancado no quarto, chorar até que a última gota do seu corpo se esgote. Difícil é superar. E mais difícil ainda é se convencer de que superou.

Foto por rawpixel.com em Pexels.com

Fácil é acabar com a vida pra acabar com a dor, difícil mesmo é levantar todos os dias com um buraco no peito e colocar a roupa de existir. Dizer que está bem é fácil, complicado é estar. Escutar aquela música, sentir aquele cheiro e visitar aquele lugar parecem ser coisas que ardem o fundo da alma, porque as lembranças doem como álcool em ferida aberta. Mas a verdade é que não sentir mais nada dói bem mais.

O fim de um sentimento é mais triste do que o seu fim propriamente dito. É mais difícil enterrar histórias, momentos e sorrisos à enterrar-se. Enquanto ainda há uma faísca em meio ao fogo apagado, de certa forma também ainda há importância. Sofrer por se importar é natural, estranho é sofrer por não fazer mais diferença alguma.

Continuar dentro de uma bolha de solidão e sofrimento é escolha sua, assim como lutar pra sair dela também. Fácil é olhar a vida passando e ficar estático no mesmo lugar, amargurado, desiludido, cabisbaixo. Difícil é assumir que está no fundo do poço e, sim, precisa de ajuda. Difícil é estufar o peito e não se deixar abalar por nada. Fácil é chorar pela cicatriz adquirida, difícil é aceitá-la como uma tatuagem interna que faz parte de você.

Mas sinceramente, quanto mais difícil, mais vale a pena…

Sobre ser surpreendido


A vida, quase sempre, desenha nossa história de uma forma estranha. Ou passamos a acreditar dessa forma. É necessário saber viver e confiar na vida, chorar e sorrir quando se tem vontade. É comum se pegar pensando nas sensações por nós sentidas. É incrível quando por palavras somos surpreendidos e que acabam mexendo conosco de certa forma.

Foto por Caio Queiroz em Pexels.com

Uma certa vez alguém me disse que simples palavras fazem grandes diferenças, enquanto palavras complexas podem soar duras e frias, criando uma repulsa e até descontentamento.

Mas tudo corre e vai além de palavras. Atitudes fáceis porém de grande valor dão-nos uma sensação de carinho e nos faz cair em sonhos e pensamentos. Palavras e atitudes, simples ou difíceis, a diferença não está em sua estrutura em si, mas sim nos sentimentos que nelas colocamos.

Tudo isso me paralisa. Quebro as fronteiras. Aumento meu limite de espaço e nele me sinto apto a dividir com meus iguais. E excluo a preguiça, a involução, o comodismo e a arrogância. E respiro um ar puro.

Não crie expectativas. Ser surpreendido é bem melhor que ser decepcionado.

Sobre cartas que nunca te enviei


Às vezes é necessário se guardar, se calar e apenas observar as coisas seguirem seu rumo, distante.

Escrevi sobre saudades, sobre momentos de raiva ou ciúme bobo. Escrevi também sobre como meu sorriso era lindo ao acordar após um belo sonho. Escrevi e rasguei por diversas vezes, como se os rasgos pudessem te rasgar de mim aos poucos.

Às vezes é necessário tempo. E só com o passar do tempo pude perceber o quão tudo isso é real. O tempo cura e nos leva para novos caminhos. Tudo isso também foi escrito, porém você nunca recebeu essas tais cartas.

Escrevi sobre como tudo era tão mágico no começo e como deixamos chegar ao ponto que paramos. Escrevi sobre não lembrar mais do teu olhar. Chorei. E tornei a rasgar os papéis que, por diversas noites em claro, deixei pedaços meus.

Escrevi que hoje não sinto mais sua falta. Escrevi que aquela música não me lembra mais você. Escrevi e guardei pra mim mesmo, para que assim eu possa ler novamente sempre que eu pensar que possa haver algo entre nós.

E serão cartas que você nunca irá receber. Cartas essas, que hoje não fazem mais diferença de serem lidas por você. O tempo foi necessário.