Quando a cura chega?


Ninguém consegue mudar tudo de uma hora pra outra. É um processo dolorido, que por vezes nos faz perder a vontade de levantar da cama. Superar é muito disso. Se deixar levar pelos dias que se passam, aprender com cada passo, saber que tudo segue como um dia após o outro. Lentamente.

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Por diversas vezes pensamos em nunca mais entregar nosso tempo para alguém novamente. Uma mistura frenética de angústia, medo do que está por vir, o medo de por fim abandonar, desistir de tudo e seguir. Não é como um mergulho no mar, deixando nele todas as impurezas e saindo após um longo tempo sentindo-se leve. Leva tempo. E foi preciso passar por tudo isso para realmente saber.

Seremos nós, por nós mesmos e não há nada de errado nisso. Errado seria não sairmos do lugar. Não darmos o primeiro passo. Não decidirmos pular do barco quando necessário. Aceitar que ao acordar restará olhar a hora no relógio, tomar um bom banho de cabeça, ouvir a música que nos faz sentir vivo.

Dói. Ninguém disse que seria fácil. Eu também sabia que não seria. Você também sabe que não seria. Cada um enfrenta de sua maneira, mas o processo acaba sendo o mesmo. Para uns, num curto espaço de tempo, para outros um pouco mais. Ninguém nunca nos ensinou como é que a gente esquece, até por que não existe um manual explicando passo a passo para isso. É um processo que precisamos ser firmes, estarmos fortes e termos paciência. Um dia estaremos curados.

Ausência


Sabe, tem dias que parece que ainda não vai passar. Mesmo com um tempo se passando, coisas acontecendo, a realidade batendo sem parar. Tem dias que se parece ter passado meses ou anos, mas ao mesmo tempo, tudo parece ter sido ontem. Tem dias que eu posso jurar nunca mais querer me apaixonar por mais ninguém, só pra não ter que passar por tudo isso novamente. Tem dias que me arrependo por não ter resolvido tudo antes. Tem dias que nem lembro como tudo levou a isso.

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Talvez tenhamos de nos acostumar a perder algo, antes de pensar em qualquer outra coisa. Digo isso pois sempre teremos pessoas que vão passar por nós. Até por que nós também nos afastaremos de outras pessoas. Talvez até de alguém que amamos, por qualquer motivo que seja. Nunca sentia algo tão ruim em toda minha vida. Um bolo no pescoço que insistia em não descer. Uma sensação tão incomoda que, se pudesse, arrancava fora.

Mas é isso. Nunca sabemos quando iremos nos recuperar. Sabemos apenas que em algum momento isso irá acontecer. Num momento em que enterramos o passado e nos permitimos ver o amanhã com outros olhos, acontece. Procuramos forças dentro de nós, sem nem saber onde iremos chegar. Mas chega um momento que precisamos guardar a saudade numa gaveta e colocar o melhor sorriso no rosto. Precisamos enxergar o amor como ele realmente é. Tem um lado bom, tem um lado ruim, um lado que dói e precisamos aceitar que nunca mais seremos o mesmo. É preciso seguir.

Acordar


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Hoje mais tranquilo consigo entender alguns sinais. Sabe, em alguns momentos só queremos ouvir e ser ouvido. Me dá estafa essa de falar com você só por mensagem. Eu preciso soltar minha voz. Preciso ouvir no lugar de ler suas palavras, ora vazias, ora tão cheias de ironia.

Hoje, depois de alguns copos de cerveja subirem minha cabeça, pensei em tudo o que fizemos para tornarmos esse nada. Sim. Não foi pela ausência de atitudes, mas sim por elas próprias. Atitudes que conscientemente ou não íamos tomando e levando a caminho nenhum.

Eu poderia ter feito algo e fiz. Mas o problema não estava em mim. Não apenas em mim. Insisti, tentei, foi dolorido. Deixamos levar como uma bola de neve. Tudo ia se juntando e nada se resolvia. Até que foi finalizando.

Mágoas


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Estejamos abertos para o acaso. Por um certo tempo pensei conhecer tudo sobre o que eu precisava saber. Estava enganado. Não me dei conta do quão rasas algumas pessoas podem ser, mergulhei e não foi tão fácil encontrar a borda novamente. Na verdade, todo esse processo ainda acontece e ainda sigo em busca da borda.

Até que ponto você estaria disposto a se entregar? Se eu soubesse antes o que sei hoje, minha resposta seria outra. Talvez minhas atitudes seriam outras. A certeza que tenho é que não teria me aprofundado tanto. Quem sabe até não ter deixado passar de uma noite de festa e diversão. Ah, mas o acaso nos deixa cego, mesmo com a verdade brilhando em nossa frente.

Hoje escrevo sobre mágoas, amanhã espero escrever sobre algum sorriso meu que devo ter deixado perdido nos becos me meti tentando fugir. Dói você ter de rasgar histórias que apenas de um ponto de vista poderiam ser bonitas. Um dia espero escrever com um sorriso no rosto o quão feliz eu fui antes de toda essa destruição.

Um Penhasco


Foto por Alexis Azabache em Pexels.com

Talvez tenhamos transformado tudo num caos.

Pulamos de um penhasco onde pensamos que seria uma queda tranquila. Ou tentamos acreditar que assim, seria mais fácil aceitar o pulo. Num curto espaço de tempo, vi o mundo desabar. Me vi preso em medos, vi alguns sonhos se desmancharem, talvez dando espaço para outros nascerem. Um pulo no desconhecido. Plena escuridão. Enquanto o vento passava rasgando meu rosto, te vi de longe. Cada vez mais longe. Bem longe. Mas perto.

A queda talvez pudesse ter sido tranquila. Talvez se pudéssemos prever o quão longe ela nos levaria, teria me preparado mais. Teria não insistido tanto. Mas pulamos. Prontos ou não. Sem saber ao certo onde nos levaria. Posso dizer que ainda não sei até onde essa atitude vai nos levar. Talvez já nos levou e nem tenhamos percebido que chegamos aqui em baixo.

Lá no alto, o penhasco. Daqui, apenas incertezas. Quem sabe, talvez, uma certeza. É, uma certeza que leva a uma outra certeza. Ou talvez a milhões de dúvidas. Durante a queda, palavras foram jogadas. Cada qual descarregando seu peso, suas dores, suas lágrimas. Aproveitamos esse último momento. Talvez seja preciso sangrar pra aprender o quão é forte. Talvez um só corpo não seja suficiente em litros de sangramento. Talvez uma só vida não seja suficiente. Talvez tudo tenha um propósito. Mas lá do alto do penhasco não imaginei que seria tão doloroso tantas dúvidas. Tantos “talvez”.

Sobre enfrentar as ondas


Uma onda veio forte e me derrubou. Eu não estava preparado, mas ergui a cabeça e enfrentei todas as próximas ondas. Não passou muito tempo e não sentia mais o chão sob meus pés e percebi que teria de voltar para onde estava.

Foto por Todd Trapani em Pexels.com

Essa questão de estar seguro comigo mesmo sempre foi o principal ponto. Não sou de ficar com inseguranças. Talvez por eu não me adaptar bem a isso. Eu fujo de locais em que eu não me sinta seguro. De locais, de pessoas, de tudo que não passe segurança. Aprendi a ser assim.

E então, eis que aparece algo alguém que faz com que eu posso seguir entre as ondas. Que faz com que eu possa ficar sem chão sob meus pés. Este alguém que faz com que minhas inseguranças sumam.

Sobre ser depois de nós


É, acho que estraguei tudo outra vez, mas essa não é a primeira, tampouco será a última. E talvez isso seja até bom. Talvez não seja a hora de acontecer. Talvez esse dia nunca chegue. E está tudo bem.

Eu sei que tudo está meio confuso, os dias estão nublados, o céu sem cor, a mente sem paz. Eu sei que tudo o que você poderia querer, eu posso te dar, mas sei também que não sou eu o escolhido. Na verdade, nem sei porque estou me preocupando com isso. Nunca antes eu pude te dar tudo que merecia de melhor e nunca serei eu o encarregado dessa função.

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Eu te assustei, eu sei. Ser intenso machuca mais a mim do que os outros, mas a forma que uso para me expressar assustou até mesmo as almas mais corajosas e donas de si que já conheci. É um defeito incorrigível, assim como te querer.

Você me pediu silêncio, não com suas palavras, e sim com a ausência delas, e eu entendi. Está tudo bem, ficar em silêncio sobre o que sinto já faz parte da minha rotina muito antes de você desconfiar de algo. O dia-a-dia segue normal como sempre seguiu antes de nós.

Tentei fazer o que você está fazendo para driblar tudo isso. Liguei o rádio e deixei a música tocar, mas até nisso acabei falhando. Gessinger gritou aos quatro cantos do quarto: conheci uma guria que eu já conhecia de outros carnavais, com outras fantasias…

E aí eu lembrei que eu já te queria desde antes, esse é só mais um carnaval em que não te terei como em todos os outros. Só me resta vestir a velha fantasia de palhaço e sair mais uma vez no bloco dos conformados.

De carnaval em carnaval, vou te esquecendo e logo meu coração conhece outro ritmo e para de bater por você.