Sobre enfrentar as ondas


Uma onda veio forte e me derrubou. Eu não estava preparado, mas ergui a cabeça e enfrentei todas as próximas ondas. Não passou muito tempo e não sentia mais o chão sob meus pés e percebi que teria de voltar para onde estava.

Foto por Todd Trapani em Pexels.com

Essa questão de estar seguro comigo mesmo sempre foi o principal ponto. Não sou de ficar com inseguranças. Talvez por eu não me adaptar bem a isso. Eu fujo de locais em que eu não me sinta seguro. De locais, de pessoas, de tudo que não passe segurança. Aprendi a ser assim.

E então, eis que aparece algo alguém que faz com que eu posso seguir entre as ondas. Que faz com que eu possa ficar sem chão sob meus pés. Este alguém que faz com que minhas inseguranças sumam.

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Sobre ser depois de nós


É, acho que estraguei tudo outra vez, mas essa não é a primeira, tampouco será a última. E talvez isso seja até bom. Talvez não seja a hora de acontecer. Talvez esse dia nunca chegue. E está tudo bem.

Eu sei que tudo está meio confuso, os dias estão nublados, o céu sem cor, a mente sem paz. Eu sei que tudo o que você poderia querer, eu posso te dar, mas sei também que não sou eu o escolhido. Na verdade, nem sei porque estou me preocupando com isso. Nunca antes eu pude te dar tudo que merecia de melhor e nunca serei eu o encarregado dessa função.

Foto por Elijah O’Donnell em Pexels.com

Eu te assustei, eu sei. Ser intenso machuca mais a mim do que os outros, mas a forma que uso para me expressar assustou até mesmo as almas mais corajosas e donas de si que já conheci. É um defeito incorrigível, assim como te querer.

Você me pediu silêncio, não com suas palavras, e sim com a ausência delas, e eu entendi. Está tudo bem, ficar em silêncio sobre o que sinto já faz parte da minha rotina muito antes de você desconfiar de algo. O dia-a-dia segue normal como sempre seguiu antes de nós.

Tentei fazer o que você está fazendo para driblar tudo isso. Liguei o rádio e deixei a música tocar, mas até nisso acabei falhando. Gessinger gritou aos quatro cantos do quarto: conheci uma guria que eu já conhecia de outros carnavais, com outras fantasias…

E aí eu lembrei que eu já te queria desde antes, esse é só mais um carnaval em que não te terei como em todos os outros. Só me resta vestir a velha fantasia de palhaço e sair mais uma vez no bloco dos conformados.

De carnaval em carnaval, vou te esquecendo e logo meu coração conhece outro ritmo e para de bater por você.

Sobre o mais feliz da vida


Você pensa que é o fim do mundo, mas não é. Você acha que a sua dor é a pior de todas as dores já existentes, mas está enganado. Fácil é sofrer, passar dias trancado no quarto, chorar até que a última gota do seu corpo se esgote. Difícil é superar. E mais difícil ainda é se convencer de que superou.

Foto por rawpixel.com em Pexels.com

Fácil é acabar com a vida pra acabar com a dor, difícil mesmo é levantar todos os dias com um buraco no peito e colocar a roupa de existir. Dizer que está bem é fácil, complicado é estar. Escutar aquela música, sentir aquele cheiro e visitar aquele lugar parecem ser coisas que ardem o fundo da alma, porque as lembranças doem como álcool em ferida aberta. Mas a verdade é que não sentir mais nada dói bem mais.

O fim de um sentimento é mais triste do que o seu fim propriamente dito. É mais difícil enterrar histórias, momentos e sorrisos à enterrar-se. Enquanto ainda há uma faísca em meio ao fogo apagado, de certa forma também ainda há importância. Sofrer por se importar é natural, estranho é sofrer por não fazer mais diferença alguma.

Continuar dentro de uma bolha de solidão e sofrimento é escolha sua, assim como lutar pra sair dela também. Fácil é olhar a vida passando e ficar estático no mesmo lugar, amargurado, desiludido, cabisbaixo. Difícil é assumir que está no fundo do poço e, sim, precisa de ajuda. Difícil é estufar o peito e não se deixar abalar por nada. Fácil é chorar pela cicatriz adquirida, difícil é aceitá-la como uma tatuagem interna que faz parte de você.

Mas sinceramente, quanto mais difícil, mais vale a pena…

Sobre ser surpreendido


A vida, quase sempre, desenha nossa história de uma forma estranha. Ou passamos a acreditar dessa forma. É necessário saber viver e confiar na vida, chorar e sorrir quando se tem vontade. É comum se pegar pensando nas sensações por nós sentidas. É incrível quando por palavras somos surpreendidos e que acabam mexendo conosco de certa forma.

Foto por Caio Queiroz em Pexels.com

Uma certa vez alguém me disse que simples palavras fazem grandes diferenças, enquanto palavras complexas podem soar duras e frias, criando uma repulsa e até descontentamento.

Mas tudo corre e vai além de palavras. Atitudes fáceis porém de grande valor dão-nos uma sensação de carinho e nos faz cair em sonhos e pensamentos. Palavras e atitudes, simples ou difíceis, a diferença não está em sua estrutura em si, mas sim nos sentimentos que nelas colocamos.

Tudo isso me paralisa. Quebro as fronteiras. Aumento meu limite de espaço e nele me sinto apto a dividir com meus iguais. E excluo a preguiça, a involução, o comodismo e a arrogância. E respiro um ar puro.

Não crie expectativas. Ser surpreendido é bem melhor que ser decepcionado.

Sobre cartas que nunca te enviei


Às vezes é necessário se guardar, se calar e apenas observar as coisas seguirem seu rumo, distante.

Escrevi sobre saudades, sobre momentos de raiva ou ciúme bobo. Escrevi também sobre como meu sorriso era lindo ao acordar após um belo sonho. Escrevi e rasguei por diversas vezes, como se os rasgos pudessem te rasgar de mim aos poucos.

Às vezes é necessário tempo. E só com o passar do tempo pude perceber o quão tudo isso é real. O tempo cura e nos leva para novos caminhos. Tudo isso também foi escrito, porém você nunca recebeu essas tais cartas.

Escrevi sobre como tudo era tão mágico no começo e como deixamos chegar ao ponto que paramos. Escrevi sobre não lembrar mais do teu olhar. Chorei. E tornei a rasgar os papéis que, por diversas noites em claro, deixei pedaços meus.

Escrevi que hoje não sinto mais sua falta. Escrevi que aquela música não me lembra mais você. Escrevi e guardei pra mim mesmo, para que assim eu possa ler novamente sempre que eu pensar que possa haver algo entre nós.

E serão cartas que você nunca irá receber. Cartas essas, que hoje não fazem mais diferença de serem lidas por você. O tempo foi necessário.

Sobre sorrir depois da dor


Chega uma hora que não há mais motivos para chorar. Nessa hora percebemos – não que as lágrimas foram em vão mas – que não há mais uma dor latejando no peito. Existe um coração que pulsa e que pede por vida.

Foto por Lisa Fotios em Pexels.com

Chega uma hora que devemos virar a página. Sem dor, sem medos, sem rancor.

É um momento em que desculpas não são necessárias! Assim como não dá pra se apagar da memória todos os momentos. Viver no luto pode parecer cansativo e doloroso, mas o mundo não vai parar de girar.

Novos sorrisos aparecerão. Novos motivos também. E novos olhares. Por mais que a dor pareça eterna, aprendemos que uma hora ela é abafada, até o ponto em que não faz mais diferença.

Sobre o Tempo


Foto por Giallo em Pexels.com

É, o tempo faz com que a gente observe coisas incríveis. Deito-me e passo a observar o céu, sem pressa, e uma eternidade de pensamentos tomam conta de minha mente.

Com o tempo percebemos que pra podermos ser feliz com uma outra pessoa, precisamos em primeiro lugar não precisar dela.

É, às vezes o tempo machuca também. Mas alivia. Cura. Sabe, acredito que todos precisamos disso. Um tempo para buscar o nosso eu interior. Um tempo para cuidarmos de nosso jardim, para que assim as borboletas possam voar nele.

No fim das contas, o tempo é variável. Uns precisam de muito, outros de pouco. Mas é inevitável, o tempo faz com que observemos melhor todas as situações já vividas. E só assim podemos nos policiar para situações futuras.

Como já dizia o poeta, “o tempo não pára!”.